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Ex-ministros do Meio Ambiente cobram ação para 'salvar' conferência do fracasso

20/04/2012
Fonte: Folha de SP

O grupo dos ex-ministros de Meio Ambiente encabeçado pelo embaixador Rubens Ricupero e pela ex-senadora Marina Silva lançou ontem, em São Paulo, um manifesto contra o esvaziamento das questões ambientais na pauta da Rio+20, a conferência da ONU que será realizada em junho.

Para eles, ainda "há tempo para salvar" a cúpula e evitar retrocessos.

'Há um elevado risco de que a Rio+20 seja não apenas irrelevante, mas configure um retrocesso. Essa percepção começa a se generalizar e pode conduzir a um esvaziamento da conferência em termos de presença de Chefes de Estado e de governo', alerta o documento 'Rio mais ou menos 20?', assinado por ex-ministros, economistas, cientistas e políticos.

O manifesto cobra do governo federal mais visão estratégica na condução dos trabalhos para a conferência. Também sugere a adoção de políticas industriais, sociais e de inovação que coloquem o Brasil no caminho de transição para a economia verde.

O documento será entregue ao governo federal. O grupo de ex-ministros aguarda uma audiência com a presidente Dilma Rousseff, ainda este mês, para tentar sensibilizá-la para esta questão. Há duas semanas, Rousseff disse que não haveria espaço para 'fantasia' na Rio+20, referindo-se a fontes de energia renováveis.

Na avaliação de Ricupero, a falta de ambição em tornar a Rio+20 tão relevante quanto foi a Eco-92 em termos de tratados e acordos ambientais reflete a postura do próprio goveno federal diante desses temas.

'A posição do Brasil é tímida porque o governo brasileiro não acredita nas mudanças climáticas', disse o embaixador. 'Há uma atitude de negação e adiamento frente a esses temas. O governo finge que nada está acontecendo e, se acontecer, a responsabilidade será do próximo governo', ressaltou Ricupero.

A posição oficial do Itamaraty é a de que a Rio+20 deve ser uma conferência sobre desenvolvimento sustentável, apoiada em três pilares: social, ambiental e econômico. Fontes que acompanham as negociações afirmam, no entanto, que há um desejo do governo de 'desambientalizar' o encontro, para que os feitos sociais ganhem destaque na Rio+20.

LIMITES DO PLANETA

Na avaliação do ambientalista Fabio Feldmann, não faltam alertas da comunidade científica sobre os problemas ambientais que o mundo enfrenta, como as mudanças climáticas e os limites físicos para a expansão da atividade econômica.

'Essa é a grande diferença desde a Eco-92: se antes havia dúvida quanto ao aquecimento global, a perda de biodiversidade e a situação dos mares, hoje já não há. Temos a ciência indicando claramente que o planeta está encontrando seus limites', diz Feldmann.

Segundo ele, o que preocupa é o Brasil, como anfitrião, não querer debater a fundo essas questões na Rio+20. 'O Brasil está tímido porque não quer desagradar ninguém e no final vai acabar desagrando todo mundo.'



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