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CÂMARA DISCUTE INSTALAÇÃO DAS USINAS NUCLEARES NORDESTINAS

18/05/2010
Fonte: Imprensa da Eletronuclear

A desigualdade da mesa de expositores da audiência pública requerida pelo deputado Edson Duarte (PV–BA) para discutir A Instalação de Usinas Nucleares no Nordeste Brasileiro, no dia 06 de maio último, na Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Câmara dos Deputados foi constatada pelos presentes e, registrada publicamente, pelo presidente da Eletrobras Eletronuclear, Othon Luiz Pinheiro da Silva. O Greenpeace, como opositor tradicional da energia nuclear, foi representado por André Amaral, atual coordenador da Campanha Nuclear. Sergio Dialetachi, ex–coordenador de campanha nuclear do Greenpeace, apresentou–se como "Assessor do Movimento Paulo Jackson da Bahia". E ainda, à mesa, havia um declarado simpatizante desse movimento verde: o professor Heitor Scalambrini, da Universidade Federal de Pernambuco. Na defesa do setor nucleoelétrico, além de Othon, estava o diretor de Radioproteção e Segurança Nuclear da Comissão Nacional de Energia Nuclear – CNEN, Laércio Vinhas.

– Deveríamos ter tido o direito de trazer um professor para equilibrar a discussão – comentou Othon para a platéia.

Por outro lado, foi devidamente reconhecida a disposição do presidente da Eletrobras Eletronuclear "em se expor e discutir democraticamente", aceitando o convite da Comissão. Ao pedir a palavra, o deputado Luiz Bassuma (PV–BA) comentou: "Parabenizo a coragem da presença de posições profundamente antagônicas."

Enquanto Othon expôs a situação atual da escolha dos sítios para a construção das usinas nucleares nordestinas levantando as questões técnicas e sócio–econômicas que o projeto promoverá na região, o diretor da CNEN discorreu sobre as atribuições da entidade e explicou o procedimento do licenciamento nuclear das instalações.

Durante o debate, Othon lembrou que a "independência energética" do país foi um dos fatores que fez o Brasil passar pela recente crise econômica mundial com mais tranqüilidade do que outros países. O presidente da Eletrobras Eletronuclear ainda comentou: "Fechar um balanço energético com fontes próprias faz com que a vocação do país seja pacífica. Se juntarmos a água, a nuclear e mais outras fontes brasileiras a gente fecha esse balanço com vocação pacifica porque a natureza assim o permite."

Diante das críticas de André Amaral sobre a gestão da CNEN, como órgão fiscalizador do setor, dizendo que a entidade está "comprometida" por sua estrutura organizacional, o diretor de segurança nuclear da Comissão declarou: "Eu só submeto a licença à consideração do presidente quando estou convicto que a atividade é segura. Há 45 anos trabalho na CNEN, de acordo com a minha consciência. Estou à frente da diretoria de segurança nuclear há praticamente três anos. Jamais qualquer pressão mudou minha opinião. "

O professor Scalambrini afirmou que "não existem sólidas razões científicas para utilizarmos energia nuclear no país". Criticou também a ausência da participação da sociedade na implantação do programa nuclear brasileiro, no que foi apartado pelo deputado Luiz Sergio (PT–RJ), com um depoimento pessoal:

– Quero deixar claro que o município de Angra dos Reis, onde estão sediadas as três usinas nucleares, compreende, defende e apóia a energia nuclear. Fui vice prefeito e prefeito de Angra e passei por vários debates sobre esse tema.

A audiência foi encerrada com o deputado fluminense fazendo um apelo: "As pessoas precisam saber que nenhum país do mundo se desenvolve sem energia. Defendo que temos que utilizar todos os tipos, inclusive a energia nuclear. E ainda: esse país precisa aprender a ter orgulho da sua capacidade. Estamos aqui diante do Othon. É verdade que ele trabalhou num programa paralelo e, isso, longe de se ter vergonha nós temos é que ter orgulho. Só oito países do mundo enriquecem urânio por centrifugação, como o Brasil. O país deve isso a muitas pessoas, inclusive ao Othon, que trabalhou no projeto que levou o Brasil a dominar essa tecnologia."



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